No dia 10 de novembro, o Brasil comemora o Dia de Prevenção e Combate à Surdez. Nesta data, acontece uma campanha nacional para a conscientização das pessoas sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das perdas auditivas em todas as idades.

A audição precisa de cuidados. Segundo o último CENSO (de 2010), mais de 9,7 milhões de brasileiros têm algum grau de deficiência auditiva. Desses, 2,3 milhões apresentam surdez de grau severo - cerca de um milhão de jovens até 19 anos.

E mundialmente falando, de acordo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a perda auditiva atinge cerca de 360 milhões de pessoas independentemente da idade. Nesse contexto, para marcar o Dia Nacional de Combate à Surdez – 10 de novembro, o Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia alerta a população sobre os perigos do uso excessivo de fones de ouvido com volume alto.

Causas

Entre as principais causas da surdez está a exposição a ruído, que acima de 85dB já é considerado uma ameaça. O trânsito, por exemplo, pode chegar a 90dB, fones de ouvido a 100dB e shows musicais e discotecas a 115dB. A lesão auditiva depende da intensidade do ruído e do tempo de exposição a ele. Quanto mais alto o som, menos tempo você deve ficar exposto.

A perda auditiva induzida por ruído (PAIR) uma vez instalada no indivíduo não tem cura, o que pode ser evitado é que a doença evolua. A PAIR tem vários agentes causadores, como o ruído industrial, produtos químicos (solventes, metais, asfixiantes entre outros).

Outras causas comuns de surdez são otites, excesso de cera nos ouvidos, doenças infecciosas virais, problemas de origem genética, labirintites e idade avançada. A surdez pode ser diagnosticada facilmente através de um exame auditivo.

Já na infância, doenças genéticas, infecções maternas durante a gestação, uso de alguns medicamentos e prematuridade estão entre as principais causas. A criança doente pode nascer surda ou ficar surda progressivamente nos primeiros anos de vida.

Na infância, o cuidado com o diagnóstico precoce da surdez é essencial pois o cérebro precisa “aprender” a ouvir quando ainda é criança. Com o avançar da idade, o cérebro que não “ouviu”, não desenvolve a área da fala como deveria. É por isso que o programa de triagem auditiva neonatal regulamentado em todo o país é tão importante para que o diagnóstico e a intervenção das perdas auditivas ocorram o mais precoce possível.

Combate

A prevenção e o diagnóstico precoce são a forma mais eficaz de combate. Não coloque cotonetes no fundo dos ouvidos, não fique exposto a ruídos altos ou por longos períodos, não use fones de ouvido com volume acima de 50% do total, vacine seu filho regularmente seguindo a orientação dos pediatras, acompanhe as orientações sobre vacinação contra rubéola em mulheres em idade fértil, faça o pré-natal de forma adequada, procure um especialista (fonoaudiólogo ou otorrinolaringologista) em caso de dúvida ou suspeita de surdez.

Acerca da saúde auditiva ocupacional, os trabalhadores expostos a ambientes ruidosos (acima de 80dB) devem fazer uso de equipamento de proteção individual e protetor auricular. É obrigatoriedade da empresa fornecer e treinar o funcionário sobre o uso do equipamento, assim como como é obrigatoriedade do funcionário fazer o uso correto do mesmo.

PAIR

Dentre os agentes nocivos à saúde, o mais frequente nos ambientes de trabalho é o ruído, responsável por distúrbios auditivos temporários e permanentes e por comprometimentos orgânicos diversos. De acordo com o protocolo estadual de PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído), também chamada de PAINPSE (Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados), apesar dos avanços tecnológicos atuais e das mudanças ocorridas nos modos de produção, ainda hoje a perda auditiva continua sendo um dos agravos à saúde mais prevalente nos ambientes de trabalho de inúmeros processos produtivos.

Os sintomas mais frequentes são a diminuição de audição (perda auditiva), zumbido, dificuldades de compreensão de fala, sobretudo acompanhar a comunicação em grupo, intolerância a sons intensos, transtornos cardiovasculares, digestivos e vestibulares (vertigem e tontura). Esses fatores podem provocar efeitos neurológicos e comportamentais uma vez que a dificuldade auditiva e o zumbido demandam esforço excessivo e fadiga para manter a atenção e concentração, podendo desencadear estres, ansiedade, irritação, intolerância a lugares ruidosos, prejuízos nas interações sociais e até mesmo depressão.

O controle do ruído é, portanto, uma questão de considerável importância econômica, social e de saúde pública. Sendo assim, toda empresa que gerar, em seus processos produtivos, níveis de pressão sonora elevados acima dos limites de tolerância estabelecido pela Portaria 3.214/78 – NR -15 (superior a 80dB), é obrigada a organizar sob sua responsabilidade um Programa de Conservação Auditiva (PCA).

O Programa de Conservação Auditiva é um conjunto de medidas coordenadas para prevenir a instalação ou evolução das perdas auditivas ocupacionais e monitorar a audição dos trabalhadores. Além disso devem estar em concordância com as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego, Norma de Higiene Ocupacional (NHO-01) da Fundacentro, anexo 2 da Ordem de Serviço INSS/DAF/DSS e NBR 10.152 da ABNT – Norma Brasileira que regula os Níveis de Ruído para Conforto Acústico.

Com o intuito de proteger os trabalhadores dos riscos e problemas que podem ser causados pela exposição a ruído, na execução de suas funções, o Cerest Regional de Bebedouro auxilia na prevenção e assistência da Saúde do Trabalhador. Sendo assim, este Centro de Referência realiza um trabalho de orientação sobre Conservação Auditiva mediante a demanda das Vigilâncias Sanitárias da região, assim como desenvolve ações junto às empresas que buscam por nosso suporte técnico.

Tratamento

A surdez tem tratamento e conseguimos tratá-la em seus diversos níveis, em qualquer idade, em uma ou duas orelhas, seja qual for a causa. Medicações, aparelhos auditivos, implantes auditivos ósteo-ancorados, implantes cocleares. Mediante qualquer sintoma

Por último, é importante desmistificar o uso de próteses auditivas. O preconceito de algumas pessoas em relação a isso felizmente tem diminuído nos últimos anos graças aos aparelhos auditivos atuais estarem mais modernos, eficazes e discretos. As próteses auditivas têm papel importante no resgate da qualidade de vida das pessoas, além de melhorarem a audição, previnem déficits cognitivos e de memória associados à privação sensorial e reduzem o isolamento social.

Por: Patricia Jacobs Fonoaudiologa